segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Ressaca moral.

O corpo ainda tremia, os dedos estavam arroxeados e o coração vazio. Poucos barulhos eram ouvidos ali, em sua cabeça, tudo o que emanava era o silêncio, e apenas isso bastava. O rosto se fazia destroçado, minutos pareciam horas e só lhe restava a dor e o desapego. Precisava de um sorriso, de alguma noção e de alguns cigarros. Precisava de sentimentos e de fidelidade, de ter uma ambição e talvez um novo amor.
Suspeitava da ilusão, do egoismo que tornavam-se seus companheiros de anos a fora. Suspeitava que até tivesse um lado respeitavel, e até mesmo da garota da janela da frente. Do mundo que um dia já lhe pareceu belo, e de sua infância destruida em alguns flashs de luz.
Aos poucos os sons voltaram, o ritmo frenetico da "cidade que não dorme", voltava também a mistura de sensações, o desapego e a incapacidade. O chão machucava suas costas, não conseguir levantar machucava a mente e saber que não havia para onde ir machucava seu coração.
Ter um dia se entregado ao mundo, ao sentimento, à garota da janela da frente, lhe trazia dor, que vinha acompanhada de um resto de esperança, e ele, por enfrentar tantas perdas, sabia que era o necessário para sobreviver, não viver ou continuar vivendo, sobreviver ao fracasso que era lançado aos seus olhos cada agoniante dia.
Recuperava os sentidos suavemente, a visão já estava menos turva e a dor de cabeça já iria se manifestar. Percebeu pessoas passando ao seu lado, algumas chegavam a pular seu corpo, ignorando uma alma, que já não era mais tão alma assim, que tinha se perdido em um confuso de emoções.
- A quanto tempo você está aqui?
A garota da janela da frente, agora sentada no meio fio ao seu lado, encarava o nada, absorta em pensamentos, fumaça e seu cachecol vermelho.
- O suficiente.
Mais um trago, mais um ponto, mas um eu em um você.
- Por que eu?
Ela tremeu um pouco, apertou os olhos e quis retruca-lo fria e firme.
- Por que não?
Ah, quem dera ter a resposta para tudo que o atormentava, o obcecava, observava.
- Não quero suas memórias, não quero essa dança e nem esse jogo.
A frieza de seu olhar gelava aos que cruzavam pelo casal, ignorados e ignorantes telespectadores de brigas, de choros, de confissões.
Ela começou a esboçar um sorriso, e aos poucos começou a gargalhar, não estava muito perto do sóbrio, mas estava tão firme, invejando completamente o caro vizinho da janela da frente jogado ao chão.
Por um segundo ela quis se perder em seus olhos tristes. Por alguns dias ele veio se perdendo em seus olhos vazios e seu cachecol vermelho.
Tentou levantar, reestabelecer seu orgulho que, na verdade, nunca tivera. A tontura invadiu a cabeça, e ele precisou dela.
- Eu preciso...
Queria sentir-se adorado, iludido outra vez.
- Você tem.
É só mais um amor, dizia para si mesmo. Amores são como primaveras.
- Você não deveria.
Ele odiava o jogo. Ela odiava o jogador.
- Eu já não posso mais abandonar.
Via por trás daqueles olhos vazios, alguém que acreditava no amor, na dor e nele. Acreditava na música e no poder de um maço de cigarro. Sentia a vida, buscava ajuda e lutava, como ele, pela sobrevivência.
- Um motivo, só o que eu preciso.
Via naqueles olhos puxados uma dor sem igual, um sentimento perdido, e um sorriso reprimido, nas unhas roídas, a ansiedade o esperando através da janela, as duas da manhã, quando ele se embebedava com qualquer vodka barata. Uma ruiva que seguia independente do dia sorrir pra ela ou não.Independente de dores ou aborrecimentos, que por ter só a si mesma, e agora a ele, já lhe bastava.
- O amor já basta.


"There's a reason I don't win, I don't know how to begin."
Weekend Wars ~ MGMT

domingo, 30 de agosto de 2009

Me poupe de todo esse suspense.

A garota sorria debruçada no parapeito da sacada, satisfeita com a sua atuação. Tinha uma vista privilegiada da cidade, visto que estava na cobertura de um dos apartamentos do centro da cidade, também sendo um dos mais caros. Olhava as ruas, completamente vazias, pessoas não transitavam por um bairro consideravelmente rico ás quatro e meia da manhã.
Usava luvas de couro preto, e se protegia do frio com um sobretudo branco. Os cabelos ruivos balançavam com o vento e ela já tinha as bochechas vermelhas devido a baixa temperatura, que no momento, pouco a importava, já com um sentimento de fúria e diversão surgia em seu peito.
Pegando mais um cigarro, ela riu, da situação em que se encontrava. Já havia limpado todo o apartamento, eliminando qualquer indicio de que estivera ali, a bebida posta e um toque embreagante no ar. Tirou uma camera da bolsa, e atentamente fotografou cada lindo objeto daquela clássica morada. Fotos que nunca viriam a ser reveladas.
Escutou o barulho do chuveiro acabar, e a adição de um barulho de passos, estava na hora de fazer o que mais sabia e desejava. Segurou a bebida em uma das mãos e preparou o sorriso acusatório.
O homem estava apenas com uma toalha em volta o quadril, o corpo ainda úmido exibia curvas que, em outra ocasião, seriam luxoriosas.
- Demorei muito? Ele disse tentando seduzi-lá. Ela gargalhou, tentando apagar o enjoô que aquela frase havia provocado.
- Vale a pena, querido. Ela respondeu, enquanto aproximava-se dele. - Beba isso, é o meu vinho preferido, safra de 85.
O tom irónico da fala dela era perceptível, junto com a malícia. Se alguém assistisse a cena, poderia facilmente afirmar que era amantes a muito tempo, e não que haviam se conhecido a menos de meia hora.
- Se for bom igual você, creio que irei adorar. Disse, antes de ingerir rapidamente todo o conteúdo da taça, sem ter tempo para identificar o gosto amargo.
Uma grande dose de Cianeto, a garota pensou ao ver o jovem politico desfalecer a sua frente.
- Como Alan Turing, querido, pena que você não é esperto como ele era. Riu, observando os últimos segundos daquele que havia matado dezenas de pessoas, sem receber uma devida punição. - Você deveria agradecer por ter sido rápido.
A sensação de alegria e orgulho invadiu seu peito e a vingança não poderia ter sido melhor. Teria pouco mais de um minuto pra agir. Pegou o netbook, que repousava sobre o sofá, e digitando habilidosamente desligou todas as cameras do prédio, e apagou os vídeos armazenados, fechando-o logo em seguida e, pelo fato do mesmo ser pequeno, guardando-o em sua bolsa e dando uma ultima olhada no cadáver.
Saiu do prédio rapidamente. A ausência de porteiros e seguranças só tornou aquilo mais fácil, ela ria por dentro, finalmente podia se julgar completa. Andou por alguns minutos, pegando sua moto, e dirigindo-se rapidamente ao aeroporto mais próximo, agradecendo-se mentalmente por ter adiantado as passagens, visto que esquecera disso no ultimo caso.
x
- Aqui está seu pedido. Deseja mais alguma coisa? A garçonete de um café perguntava a garota que já estava ali à algum tempo.
- Ah, você pode me trazer uma edição do jornal? A mulher concordou, retirando-se rapidamente do lugar.
Os cabelos estavam loiros e devidamente cortados. Bebeu um pouco do café que havia sido servido e batia os dedos sobre a mesa, aguardando ansiosa as noticias. A peruca ruiva fora abandonada quando sairá do país, junto com as roupas que usava, mas o sorriso irónico ainda brotava em seus lábios. - Aqui Senhora. Pode pagar no caixa quando terminar.
Sorriu quando viu a primeira noticia, "Suicídio de Politico Famoso, policia investiga possíveis causas." escrito em letras garrafais. E novamente o sentimento de orgulho. Realmente, não poderia ter sido melhor.

domingo, 28 de junho de 2009

No rainbow.

O banheiro mantinha as luzes amareladas, o chão parecia mais sujo do que estava, e o espaço em geral ganhara um tom mórbido. Olhou-se no espelho pela última vez, ajeitou o cabelo e fechou o ultimo botão de seu casaco, tentava distrair-se mais com sua roupa, para evitar retornar as lágrimas. Não sabia direito o que vestir naquela ocasião, nunca sequer havia passado por algo assim, mas pensava que estava bem o suficiente. Terminou sua maquiagem, tentando esconder as olheiras, marcas de que havia passado a noite inteira chorando, algo nada comum em seus dias. Saiu do banheiro, e pegou a bolsa preta e as chaves, de casa e do carro, que pousavam sobre a cama.
Trancou a casa e apressou-se a sair dali, o caminho era longo, e ela não pretendia se atrasar, quanto mais rápido chegasse, mais seria confortada por pessoas que, assim como ela, sentiam um enorme vazio no peito. Conseguiu se manter distraída por alguns minutos, acompanhando as músicas e concentrada no trajeto confuso e turbulento.
Presa em um congestionamento ela, involuntariamente, começou a lembrar por tudo que havia passado junto dele. Desde as discussões por coisas bobas, sendo por romances de ambas as partes, até os momentos que ficavam dividindo potes de sorvete enquanto assistiam filmes. Efeito borboleta, o preferido dele. Encostou a cabeça no volante, já que o transito estava parado, e permitiu-se chorar novamente.

x

Andava lentamente, encarando seus pés ela sabia que não havia chegado a tempo. Todos já haviam ido, só restara ela ali, solitária novamente, maldita cidade. O céu começará a se fechar, lembrou-se dos dias chuvosos que passará junto a ele, Chris foi seu melhor amigo desde a infância, o único que fazia com que a garota saísse de sua frieza habitual. Mas ela nunca havia dito que o amava.
Chegou a onde ele estava sendo enterrado, pedindo licença ao coveiro, tomou o último tempo de seu corpo para si. Não queria abrir o caixão que repousava tranquilo ali, coberto por flores. Ajoelhou-se a grama e esquecendo de todos que rondavam pelo lugar, afim de homenagear pessoas queridas, ela gritou, "Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo!", de algum modo, independente de onde ele estivesse, ele tinha que a escutar. E fechou os olhos bruscamente, tentando impedir mais lágrimas de rolarem. Inútil.
Sentindo uma mão tocar em seu ombro, ela olhou pra cima, em busca de amparo.
- Moça. Nós precisamos terminar aqui.
Ela se levantou, tornando a encarar a cova. Despejou uma flor diferente das que ali estavam, uma flor azul, que ela não conhecia a espécie. Ele havia dito algo do tipo em uma das conversas que eles haviam tido "Flores azul no meu enterro , não se esqueça." rindo e bebendo um pouco mais. Deu seu último sorriso, vendo sua última lágrima cair sobre seu sapato.
Virou e seguiu, dando os primeiros passos em direção à, conhecida e indesejada, solidão.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Mais uma dose de seus sorrisos, por favor.

Já havia terminado sua quarta xícara de café, porém não se sentia melhor. Ria sarcasticamente de sua situação, sentada no chão da cozinha, folhas jogadas ao chão, folhas de algo que escreverá pra ele. Talvez sua forma de expressar seu amor era algo realmente estranho, com seus poemas escritos em momentos de profunda solidão ao decorrer dos anos. É, ele pode ter entendido como uma ofensa.
Isso era a única coisa que nunca iria conseguir entender, como a pessoa que sempre pediu pra que ela se abrisse e falasse mais, podia ter reagido tão mal quando ela o fez.
Levanto-se pegando mais uma xícara, enquanto sentia duas pernas tremerem levemente, não sabia se era pelo frio, ou pelo café, já que costumava ficar assim depois de ingerir uma certa quantidade. Ignorando o fato voltou a se sentar, bebendo lentamente, tentado esvaziar a mente, mente que pertencia ao loiro, exclusivamente.
Tornou a rir, sempre foi bem mais sentimentalista do que todas as pessoas que havia conhecido, uma simples briga podia faze-lá não sair de casa por algumas semanas. E, bem, ela gostava de ser assim. As outras pessoas não.
Olhou no relógio de sua parede, escolheram-no juntos, quando o antigo havia parado de funcionar. Ela só havia percebido três dias depois, mas atendendo aos protestos da loiro havia decido troca-lo. O relógio digital marcava 3:52, já estava tarde e ela não sabia a quanto tempo estava ali. Desde a briga, no mínimo 4 horas, com certeza.
A preocupação tomou conta da morena, não sabia onde Nick estava, nem o que deveria estar fazendo. Mas, ela havia deixado claro que não queria mais nada ao sair correndo dali, e batendo a porta o mais forte que podia.
Foi ai que Sofia começou a chorar, percebendo que a história havia se repetido, alias, sempre fora assim. Juntou os joelhos, abraçando-os e apoiando a cabeça ali, parecia uma criança. Não, ela sempre deixava todos partirem, todos que amava. E nem por ela, seu único amor, ela havia lutado. Soluçando, continuou se encolhendo, parecia uma criança, chorando cada vez mais forte e escutando apenas o barulho de suas lágrimas, ignorando tudo ao seu redor.
Até que sentiu um par de sapatos tocarem a ponta de seus dedos descalços e em meio a lágrimas voltou a sorrir.
- Feliz dia dos namorados, mon amour.

sábado, 16 de maio de 2009

Valor de um coração.

A ruiva caminhava tranquilamente pelas ruas de Londres. Pendurado em seu braço estava uma sacola com um vinho dentro. Ela sorria animada, enquanto esfregava as mãos, com a ponta dos dedos já avermelhadas, para tentar controlar o frio.
Parou em frente da casa em que estava morando, encarando-a. Há alguns meses se mudará para lá, ainda não estava acostumada com o lugar. Precisava construir uma vida nova, longe de qualquer lembrança de seu passado. Voltou a si quando notou flocos de neve caindo em seu rosto, rapidamente pegou seu molho de chaves em seu bolso, não demorando pra entrar. Tirou o casaco que usava, visto que o lugar era bem quente, colocou o vinho sobre a mesa de vidro perto da porta de entrada. sentou-se no chão e tirou as botas. Realmente, as vezes parecia uma criança, pensou enquanto ria.
Andou em direção a cozinha, pegando uma taça e servindo vinho para si mesma, sem tirar um sorriso do rosto. Rodopiando, voltou à sala, estava feliz, isso era algo notável. Sentou em seu sofá verde e colocou as pernas sobre a mesinha de centro. Olhou a neve, através da janela situada ao seu lado. Nunca gostara de neve, foi em um dia assim que havia se apaixonado pela primeira vez, aos 21 anos. Motivo de toda sua tristeza, motivo de ter mudado de casa, de vida, mas também, motivo de ter se tornado feliz de verdade. O namoro acabou sem um motivo concreto, ele dizia ser por ciúmes, ela dizia ser falta de atenção, desculpas comuns, mas ninguém sabia ao certo. Ela ficou alguns meses sem chão, dizia que ele era o único laço que a mantinha viva, e agora ela estava perdida.
Ela também não sabia ao certo quando havia se recuperado de tudo, provavelmente quando encontrou a mãe chorando no banheiro, devido a tristeza da filha. Decidindo pouco tempo depois ir morar em Londres, seu sonho desde pequena.
Seu sorriso desapareceu, não, não o havia esquecido completamente, apesar do tempo, da distância, a saudade ainda vencia barreiras. Bebeu rapidamente o restante do vinho e em passos largos foi em direção ao seu quarto.
Pegou uma blusa de mangas compridas, e um casaco verde musgo, contrastando com seus cabelos avermelhados, e correu em direção a porta, pegando as botas jogadas ao chão e calçando-as rapidamente. Abriu a porta, e não se importou em trancá-la. Estava nevando um pouco forte, mas ela não se importava.
Sentou em um lugar qualquer no chão, e começou a repassar seus atos mentalmente, notando todas as barreiras que havia enfrentado, por ele, todas as pessoas com que havia discutido, por ele. Começou a chorar involuntariamente, finalmente conseguindo entender. Depois do término do namoro ela havia se tornado uma nova pessoa, ela já havia mudado, e era para melhor.
- Ei moça, tudo bem ?
Ela sorriu, agora tudo daria certo.

"Te perdendo eu cresci tanto, que já não sei se quero mais te encontrar."
Desde quando você se foi, Fresno.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Qual o gosto da esperança ?

Eu fecho meus olhos pra não encarar a realidade. A sensação de euforia já passou, e agora só me resta esse vazio. Olho pra porta que a algumas horas você fechou com força, lembro-me de todos os gritos, tapas, beijos. Eu sou apenas um brinquedo.
Toda sexta-feira você bate a minha porta, exatamente as 10 horas da noite. Entra me segurando pela cintura, e me obrigando a controlar meus suspiros. Não, eu não vou demonstrar o quanto eu preciso de você.
Uma garrafa de vodka barata pela metade, ainda ao lado do pó branco em cima da mesa. Junto todas as minhas forças e tento levantar.
Porra, gemi, odeio essas dores de cabeça constantes.
Levantei cambaleando e me dirigi até a cozinha, outro pacote do tão conhecido pó branco. Me erguendo na ponta dos pés, alcancei a caixa em que guardava alguns remédios, separei um, cor de tijolo, um circulo perfeito. O engoli rapidamente, sentindo entalar em minha garganta.
Abri a geladeira, atrás de um pouco de água, vazia. Vazia, como a minha mente, e o meu corpo. Não sei a quantos dias não saio de casa, nem a ultima vez que eu comi algo.
No momento, pouco me importa.
Voltei a sala, bebendo mais vodka, tudo que ainda me resta, além dessa casa maldita. Peguei meu casaco, e alguns dólares amassados jogados em cima de meu sofá velho, preciso de um cigarro.
x
Por muitos anos eu tentei me enganar achando que era feliz, aos poucos fui criando meu mundo, um mundo hipócrita onde eu podia ser quem eu quisesse. Um mundo de jogos onde eu assumi diversas personalidades, diversos sorrisos. Mentiras, drogas e sexo.
Me tornei meu pior pesadelo, um corpo sem sentimentos, sem reações.
Até que você apareceu.
Não sei como, e nem porque, mas você começou a ficar cada vez mas presente em meu dia-a-dia sanguinário. Não por vontade minha, obviamente, eu o ofendia o tempo todo, mas não resistia aos seus sorrisos, nem ao seu cheiro de chocolate.
x
Andava calmamente pelas ruas daqui, já havia me acostumado com cheiro ruim, o céu cinza, e as pessoas que desviavam de mim.
Escutei um grito, acompanhado do som alto do disparo de uma arma. Senti meu coração falhando algumas batidas, e corri em direção um beco qualquer.
Vi duas pessoas correndo, acelerei meus passos e entrei no beco, me deparando com a pior cena de toda a minha vida.
Um corpo estirado ao chão, os cabelos loiros manchados de vermelho, a nossa mistura.
Você tentava se manter consciente, vi a força que fez ao me encarar e dizer fraca e estupidamente.
-Eu te amo. - Morrendo, logo em seguida.
Fechei meus olhos, junto com você, sentindo o meu medo de continuar tomar o lugar da minha esperança.

domingo, 5 de abril de 2009

Pessoas sem sorrisos,

Tinta de cabelo, óculos escuro, ténis sujo, coração perdido. Lenços, cintos, colares, sonhos, desejos, amores, ilusão. Baixa tolerância a lactose, delineadores, poemas, madrugadas, gritos, choros, música. Açúcar, café, café e mais café, escola, ónibus, vozes, família, sonhos, deveres, mundo, músicas, sonhos. Sábados, indie rock, café, Clarice Lispector, bebidas, amizades, óculos escuro. Carinho, abraços, sorrisos, despedidas, família, bares, bebidas, música alta, pessoas sem emoções. Acordar, reagir, viver, pensar, escola, ónibus, mais vozes, choros, cheiros, diferenças, amigos, mais volume, sem vozes, tranquilidade, pensamentos, raiva, angustia, preocupação. Tristeza, curiosidade, saudade, casa, mundo, sonhos.

Apresentações, basicamente.